quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

"E se..."?


Dia chuvoso, você senta perto da janela, acende um cigarro e começa a pensar.
Aleatoriamente, vários assuntos...só pelo passatempo de meditar um pouco sobre tudo.
É que esta semana estive conversando com um amigo.
Não interessa quem, mas ele me dizia que gosta da mesma menina há cinco anos e que vez ou outra se esbarram em algum canto por aí. É claro, cinco anos são cinco anos e pronto. Ele já se envolveu com outras garotas e ela também já conheceu outros meninos. As meninas que ele conheceu talvez fossem até mais bonitas, ou interessantes, sei lá. Assim como acontece com a garota.
Mas aí está o "x" da questão. O relacionamento já não deu certo uma vez, porém ambos insistem em pensar um no outro (sem nunca admitir) . Isso acontece pela simples infeliz existência do "e se...".
Conhece o "e se..."?
Ele nasce de uma decisão sua. Só sua.
Acompanha a grande maioria das pessoas. Sai por aí fazendo dúvidas e vítimas.
Só quem nunca se envolveu com ninguém não conhece o "e se...".
Não tem cor, sexo e raça...e também não escolhe se estará no subconsciente de meninos e meninas, meninas e meninos, meninos e meninos ou meninas e meninas.
Mas é justamente o "e se..." que nos prende a alguém. E isso eu vinha explicando á este meu amigo.
Ele (o meu amigo citado no início do texto) pode conhecer outra pessoa amanhã, se envolver e até dar certo...mas o "e se..." mais cedo ou mais tarde vai atormenta-lo. Pode até ser por intermédio de um sonho, mas pode crer que vai.
Como assim, vai? O "e se..." age contra qualquer vontade. É um ato involuntário, oras.
Ele simplesmente faz você chegar a conclusão que se naquela sexta-feira qualquer você não tivesse virado as costas hoje sua vida seria outra. Não é que estaria melhor, ela só seria diferente do que é. E isso já é uma diferença e tanto.
Ah...O "e se..." é o senhor dos "flashbacks".
Estive até pensando em abandonar o curso de Direito e fazer Psicologia, tantas pessoas me falam dos "flashbacks"...
O que vem a ser esse negócio aí?
Sabe quando você esbarra no passado em alguma festa por aí?
Rola aquele negócio de fingir olhar para trás só para disfarçar, até acontece uma aproximação e na hora de clímax da saudade o corpo diz que sim. Mas a boca diz não. Ou a boca diz que sim e o corpo diz que não, tanto faz nessa altura do campeonato. E tudo acaba em um abraço de desculpas acompanhado de algumas lagrímas.
No dia posterior tudo volta á normalidade.
Quem não conhece essa história aí, levanta o dedinho.
Agora que vocês estão apresentados ao "e se...", se cuidem.
Melhor que isso, cuidem bem de quem está ao seu lado para que o "e se..." não faça mais duas novas vítimas.
E como diria Vinícius de Moraes...

"A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida".